domingo, abril 03, 2005

Manhã

Naquele dia acordou diferente, com uma sede de viver como há muito não sentia. “Já é Primavera”, disse para consigo. Sentia-se sempre mais leve quando acordava com o chilrear das andorinhas na Primavera. Levantou-se num rompante da cama. Levantou as persianas e o Sol inundou o quarto, galgou a cama e iluminou o corpo enroscado nos lençóis. Abriu a janela de par em par e inspirou profundamente o ar fresco da manhã. “Que te deu? Fecha a janela que tenho frio”, disse uma voz sonolenta. Sorriu. Fechou a janela, calçou os chinelos e saiu do quarto. Daí a um bocado voltou, de banho tomado e com ar malandro. Pegou nos lençóis e atirou-os para trás decididamente: “Acorda amor! A vida espera-nos!!” Com isto pegou nela ao colo e, entre risos, levou-a até à cozinha onde a mesa já estava preparada para o pequeno-almoço.
Observava divertido as suas reacções: primeiro, os olhos abertos de espanto quando se sentou à mesa e depois, o apetite com que devorava os brioches e engolia o sumo de laranja, enquanto lhe perguntava repetidamente o que lhe tinha dado hoje. “Nada, doida. Estou feliz, só isso… Feliz por poder acordar a teu lado todos os dias” respondeu finalmente, olhando-a nos olhos. E dito isto levantou-se e beijou-a com carinho na testa, depois numa e noutra pálpebra, no nariz e só então na boca, apaixonadamente, recuperando um gesto perdido desde o tempo em que namoravam.

3 comentários:

Anónimo disse...

speechless. muito bonito =) parabéns! pimana

RA disse...

depois saiu de casa, meteu-se no carro, estampou-se e morreu...
Deixou-nos a todos muito tristes, era tão jovem, na força da vida...

teresinha disse...

LoL que sádico(a) RA ... aqui a estragar o sentimento do meu texto!