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quarta-feira, fevereiro 10, 2010

"Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal"

Entrevista muito interessante a Christophe de Dejours, aqui.

Nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing. O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho. Christophe Dejours, especialista na matéria, desmonta a espiral de solidão e de desespero que pode levar ao suicídio.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Sismo

Senti um tremor de terra... pela primeira vez na vida! Que medo!...

quinta-feira, novembro 19, 2009

O triunfo de uma sonhadora

Texto retirado daqui: http://www.ionline.pt/conteudo/33682-o-triunfo-uma-sonhadora


"De todas as vezes que alguém lhe disser que um sonho é impossível e sempre que se sentir desalentado face a desafios impossíveis de ultrapassar, murmure «Tererai Trent».

De todas as pessoas que ambicionavam uma licenciatura este ano, talvez a história mais notável seja a de Tererai, uma mulher de meia-idade que se tornou um dos meus heróis. O seu triunfo pessoal é também um monumento às organizações e aos indivíduos que a ajudaram. Da próxima vez que ouvir dizer que os grupos de assistência internacionais esbanjam dinheiro e criam dependência, lembre-se que Tererai tinha absolutamente todas as probabilidades de continuar a ser uma pastora analfabeta no Zimbabué e que, em vez disso... ah, mas estou a ir depressa de mais.

Tererai nasceu numa aldeia perdida nas zonas rurais da Rodésia, hoje Zimbabué, provavelmente por volta de 1965, e frequentou a escola primária durante menos de um ano. O pai tinha-a casado quando ela tinha cerca de 11 anos com um homem que lhe batia. Parecia destinada a tornar-se mais um activo africano desperdiçado.

Passou-se assim uma dúzia de anos. Jo Luck, chefe de um grupo de assistência chamado Heifer International, passou pela aldeia e disse às mulheres que deviam afirmar-se, alimentar sonhos, mudar as suas vidas.

Entusiasmada, Tererai escrevinhou quatro objectivos absurdos, retirados de feitos que ouvira vagamente terem sido alcançados por africanos famosos. E escreveu: estudar no estrangeiro, tirar a licenciatura, fazer um mestrado e um doutoramento.

Tererai começou a trabalhar para a Heifer e para várias organizações cristãs, como organizadora comunitária. Usou o que aí ganhava para tirar cursos por correspondência, poupando todos os tostões que podia.

Em 1998, foi aceite na universidade estadual do Oklahoma, mas insistiu em levar consigo os cinco filhos, que não queria deixar para trás com o marido. «Não podia abandonar os meus filhos», recorda. «Sabia que acabariam por ser obrigados a casar.»

O marido de Tererai acabou por concordar em que ela levasse as crianças para os EUA... desde que ele fosse também. A Heifer deu uma ajuda com as passagens aéreas, a mãe de Tererai vendeu uma vaca e alguns vizinhos venderam cabras para ajudarem a angariar dinheiro. Com 4 mil dólares embrulhados numa meia que atou à cintura, Tererai partiu para o Oklahoma.

Tinha-se realizado um sonho impossível, que depressa se começou a parecer com um pesadelo. Tererai e a família tinham pouco dinheiro e viviam numa roulotte em mau estado, passando frio e fome. O marido recusou-se liminarmente a fazer qualquer espécie de tarefa doméstica. Afinal era um homem! E resolvia as suas frustrações desancando a mulher.

«Havia muito pouca comida», conta Tererai. «As crianças vinham da escola e não tinham o que comer.» Tererai pensou em desistir, mas sentiu que se o fizesse seria uma desconsideração para com outras mulheres africanas.

A universidade resolveu expulsar Tererai por atraso nas propinas. Um responsável da universidade, Ron Beer, interveio em defesa dela e sensibilizou o corpo docente e a população local para a ajudarem com donativos e apoio. «Vi que ela tinha um enorme talento», diz Beer.

Pouco tempo depois, Tererai conseguiu que o marido fosse deportado para o Zimbabué por lhe bater e obteve a sua licenciatura. E começou a estudar para o mestrado. O marido voltou a juntar-se-lhe, agora fragilizado e enfermo com uma doença que se veio a revelar ser sida. Tererai fez exames, que deram negativo para VIH. Sentindo pena do marido, acolheu o seu antigo algoz e cuidou dele até ele morrer.

No meio de todo este panorama de pressões e dificuldades, Tererai continuava a ter excelentes resultados nas aulas, estudando para um doutoramento na universidade do Michigan Ocidental e preparando uma tese sobre prevenção de sida em África. Voltou a casar-se, desta vez com Mark Trent, um fitopatologista que conhecera na universidade estadual do Oklahoma.

Tererai é a prova de que o talento é universal, embora as oportunidades não o sejam. Há ainda 75 milhões de crianças em todo o mundo que não frequentam sequer a escola primária. Poderíamos dar a todas uma educação capaz por muito menos do que o custo do reforço militar proposto para o Afeganistão.

De cada vez que Tererai alcançou um dos objectivos que tinha escrevinhado num papel tanto tempo antes, era nesse papel, já amarrotado, que assinalava o respectivo cumprimento. No mês passado, assinalou o cumprimento do derradeiro objectivo, depois de ter defendido a tese com êxito. Vai receber o seu doutoramento no mês que vem. E eis como uma antiga pastora pobre, com menos de um ano de escolaridade, vai ganhar a sua batina e tornar-se a Professora Doutora Tererai Trent."

por Nicholas Kristof
Publicado em 19 de Novembro de 2009

quarta-feira, setembro 17, 2008

Um oceano de plástico

Por Eduardo Wagner [http://idealismodebuteco.wordpress.com]


Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.

Foto do vórtex

No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de mais de 1000 km de extensão, a concentração de lixo extende-se a partir da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão, atingindo uma profundidade de mais ou menos 10 metros. Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.
Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.


Oceano Plástico


O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha a 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.
A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. “Como foi possível fazermos isso?” – “Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo”.


Tartaruga deformada por aro plástico


Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.


Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave

Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.

Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.


Via: The Independent, Greenpeace e Mindfully

domingo, julho 13, 2008

Gangs em confronto ;)

quinta-feira, julho 10, 2008

Entrevista a Sheila Kitzinger

[Texto que descobri em pesquisas para o Relatório de Estágio. Ao que parece, saiu na Visão nº 588, de 9 de Junho de 2004.]

"QUEM É: Professora de enfermeiras obstetras, Sheila Kitzinger, 75 anos, corre mundo a falar da experiência do parto. Filha de uma parteira – que criou uma das primeiras clínicas de planeamento familiar, no Reino Unido –, percebeu, quando entrou para a faculdade, em Oxford, que toda a antropologia social andava à volta de visões masculinas.

CONDECORAÇÕES
Agraciada com a Ordem do Império Britânico, pelos seus serviços à educação sobre o parto.

LIVROS
Mais de 20. Três – Mães, A Experiência do Parto e Um Estudo Antropológico da Maternidade – estão disponíveis em português.

Polémica, esta antropóloga social conseguiu pôr o nascimento na lista de prioridades dos políticos.

Mãe cinco vezes e avó outras três, sempre de bebés nascidos em casa, Sheila Kitzinger não tem dúvidas de que o parto pode ser uma experiência altamente sexual. Para a antropóloga social, obrigar as mulheres a parir numa cama é «uma tortura» e a generalização da episiotomia (corte do períneo para evitar rasgões naturais, durante o parto) é a «mutilação genital feminina» do Ocidente. Assim fala a mulher referida pelos jornais britânicos como Mother of Birth (mãe do parto) do Reino Unido e graças a quem o seu país se tornou um dos mais avançados em termos de prática obstétrica.

Visão: O que fez para ser considerada a «mãe do parto», no Reino Unido?
SHEILA KITZINGER: No passado, o nascimento era considerado uma acto pessoal e biológico, tão antigo que não havia nada para dizer sobre ele. Eu fui a primeira pessoa a falar do parto como uma experiência. Não importa apenas se a mulher e o bebé estão vivos e de boa saúde, mas também como foi a experiência para a mãe. Isso tem implicações na forma como vai encarar a maternidade, a sua relação com o bebé e com o pai. Comecei a falar disto há 40 anos.

O que há de novo, na experiência do parto?
O nascimento tem a ver com a política, a identidade das mulheres, a forma como se relacionam com os homens e com os profissionais. Quando uma mulher dá à luz, é o parto dela, o bebé dela, o corpo dela. Devia poder escolher o que quer que aconteça. A grávida devia poder escolher uma parteira e só ter um obstetra quando há riscos envolvidos. São mais seguros os cuidados de uma parteira, desde a gravidez até ao nascimento.

Como é que o trabalho de uma parteira é mais seguro do que o de um obstetra?
As parteiras são especialistas em partos normais. Os obstetras, em partos anormais. Quando se trata o parto normal como se fosse anormal, acaba por se fazer dele anormal: intervém-se, administram-se drogas, estimula-se o útero para uma actividade artificial. E isso é perigoso.

Que perigos têm essas intervenções médicas?
Quando se estimula o útero de forma desnecessária, pode-se bloquear o fluxo sanguíneo na placenta, o que reduz o sangue oxigenado para o bebé. Além disso, as contracções são muito dolorosas e as mulheres não as conseguem controlar com relaxamento e respiração. Acabam por precisar de drogas contra a dor. Com essas drogas vêm outros efeitos secundários. É um ciclo. Uma intervenção leva a outra e acaba-se com um parto medicamente assistido.

A maioria das mulheres portuguesas não se queixa de assistência a mais, mas de ninguém as ter ajudado a ter um parto menos doloroso e mais rápido.
O que interessa não é ser mais rápido. Quanto mais rápido, mais doloroso. Se se queixam de muitas horas de trabalho de parto, é porque foram cedo demais para o hospital. Acredito muito no parto em casa. Há provas de que é seguro, quando não há gravidez de risco.

Como se define o risco?
Diabetes, bebés prematuros (menos de 37 semanas de gravidez), mulheres com hemorragias, tensão alta (pré-eclampsia ).

Esses são os riscos predeterminados. O problema pode surgir durante o parto, como o cordão umbilical à volta do pescoço…
Quando o cordão está no líquido amniótico, é como spaguetti no molho. Se se rompem as águas para acelerar o trabalho de parto artificialmente, o bebé desce muito rapidamente e aí o cordão, pode, de facto, estrangular o bebé. Mas, normalmente, o cordão flutua no líquido amniótico e pode estar à volta do pescoço do bebé sem que haja perigo.

E os bebés que não deram a volta para ficarem em posição fetal?
Sim, isso é um problema. Nesses casos, pode fazer-se uma cesariana, mas é melhor voltar o bebé com as mãos.

Como?
Chama-se inversão externa. Pode fazer-se depois das 37 semanas de gestação ou no início do trabalho de parto. Primeiro, massajam a mulher, de forma a que ela fique muito relaxada; a seguir, fazem-na balançar as ancas; e, depois, o médico empurra o bebé pelo rabo e roda-o, aos poucos, até que ele dê a volta, tudo com as mãos em cima da barriga da mãe. Os médicos deviam aprender a fazer isso.

Parece um método muito falível.
Há bebés que voltam à posição inicial, porque gostam mais de estar assim.

Nesse caso, a cesariana impõe-se?
Pode fazer-se cesariana ou um parto normal, desde que seja de pé. O bebé fica pendurado com as pernas de fora até que a cabeça saia devido ao peso do corpo.É outra forma de ter um bebé de rabo.

Esta solução seria mais perigosa?
Não. Depende do tamanho do bebé e do canal pélvico da mãe.

Para isso tudo, são precisas parteiras com muito boa formação.
Sim, claro. Neste momento, ainda não é assim em Portugal. Brevemente, terão três anos só para se especializarem em partos, o que deverá ser suficiente.

Ainda assim, todas essas alternativas parecem coisas arriscadas do passado, que já ninguém se atreve a fazer.
Vocês estão tão atrasados nestas coisas, que pensam assim. No Canadá e noutros países mais desenvolvidos, o trabalho das parteiras está a ser ressuscitado. Os obstetras abordam o nascimento do ponto de vista da patologia. Tratam todas as mulheres como uma ainda-não-doente.

Tendemos a pensar que o obstetra é mais especializado, mais sabedor do que uma parteira.
É verdade, eles são especialistas. Mas podem não saber absolutamente nada sobre partos normais. Alguns nunca viram um.

Será assim porque obstetra é sinónimo de hospitalização?
Sim. Mas, no Reino Unido, as parteiras fazem 70% dos partos nos hospitais. Aqui patologizam o nascimento. Abusam da episiotomia . Feita rotineiramente, é mutilação genital feminina. Falamos da mutilação genital em África, mas nós também a temos. Porquê fazer do nascimento uma cirurgia? Porquê fazer um corte? As mulheres ficam marcadas.

Marcadas, como?
Nos anos 70, fiz um estudo sobre a vivência das mulheres a quem foram feitas episiotomias . Havia muita investigação, mas todas sobre a forma como se faz o corte ou como se cose, nunca sobre os sentimentos das mulheres. Às vezes, o corte é apertado e a costura muito pequena, de forma que não podem ter relações a seguir. Uma episiotomia é um corte de terceiro grau, o que significa que vai até ao ânus. É como um velho lençol, se não se fizer um corte, é mais difícil de rasgar.

O princípio não é o mesmo para o corte natural?
Não. As investigações mostram que não se estende tanto como um corte artificial. Geralmente, a cura é mais fácil, depois de um rasgão natural. O ideal é o nascimento ser mais suave e vagaroso. Aí, gradualmente, os tecidos podem alargar-se, como as pétalas de uma flor ao sol.

Mas, dessa forma, não é mais moroso?
É, mas também mais agradável. Pode ser muito excitante. Isto são os nossos órgãos sexuais.

A versão do sofrimento do parto é muito mais frequente do que a do prazer e excitação.
Que triste! O nascimento é uma experiência psicossexual. O desejo de empurrar o bebé para fora pode ser fortemente sexual. Se a mulher seguir o seu próprio ritmo e estiver em contacto com o útero, pode ser muito excitante. Sim, há dor, mas ela é pouco importante, comparada com a emoção, desde que haja o ambiente certo.

O que é o ambiente certo para um nascimento?
Tem, sobretudo, a ver com as pessoas que estão à volta da mulher. Deitada na cama, fica numa posição terrível. Pior, só pendurada de cabeça para baixo. De pé, pode ser bom, ou de gatas, ou sentada na beira da cama, com as pernas bem abertas, ou mesmo de joelhos. Até o bebé sair, a mulher sente a necessidade de mexer as ancas, de fazer uma espécie de dança do nascimento, o que se torna impossível se for obrigada a estar na cama.

Se toda a gente acha que uma cama de hospital não é o melhor ambiente para se ter um bebé, porque é que continua a ser assim?
Está a mudar, mas não suficientemente depressa. Na Holanda, 30% das mulheres têm os filhos em casa e não é mais perigoso, desde que não haja riscos associados. Só é preciso uma ligação próxima ao hospital, o que deve ser tratado pela parteira. As coisas só mudarão se as mulheres derem as mãos às parteiras e trabalharem juntas, no mesmo sentido. Precisamos de profissionais muito boas para os partos serem mais seguros e positivos para as mulheres e as famílias. Hoje, em Inglaterra, muitas mães têm os bebés numa pequena piscina. A minha filha teve três filhos assim, em casa.

Na piscina, não há o perigo de o líquido amniótico sufocar a criança?
Faz falta mais investigação, porque é uma forma moderna de dar à luz. A grande vantagem de ter um bebé na água é que as margens da piscina impedem outras pessoas de estar em cima de nós. Nos hospitais, há sempre muita gente a dar ordens. Dizer à mulher para fazer força, no momento do parto, é como mandá-la ter um orgasmo quando está a ter relações. Não é preciso. Ela sabe muito bem o que tem a fazer.

É o instinto a funcionar?
É o nosso próprio mundo. Na piscina, somos livres de nos mexermos como queremos.O meu neto tinha 4 quilos e a mãe nem sequer teve um rasgão. Pôs-se de gatas e o bebé saiu por trás. Não foi preciso ninguém dizer-lhe nada. É muito triste que estas coisas não aconteçam em Portugal! Aqui, transformaram o parto numa tortura, sem necessidade nenhuma. As mulheres têm de fazer pressão para a mudança!

Em casa, não há monitorização do bebé. Como se pode fazer um parto em segurança?
As parteiras têm um pequeno scanner portátel que lhes permite ouvir o bebé, o que fazem de forma intermitente. Não é preciso estar a ouvir o bebé a toda a hora. As investigações mostram que utilizar o scanner é tão seguro como usar um aparelho mais complicado. Até é mais seguro.

Como?
Faz com que a cesariana seja menos frequente. Um dos problemas da maquinaria é ser interpretada de forma incorrecta pelos especialistas.

Tem cinco filhos. Como foram os seus partos?
Nasceram todos em casa. Tive um rasgão com o primeiro filho e precisei de pontos, mas fiquei bem, depois disso. O meu quarto filho nasceu muito depressa, em 40 minutos, por isso foi muito doloroso. No quinto, não tivemos tempo para chamar a parteira. O meu marido estava a filmar e só dizia: «Sorri! Sorri!» E foi o que fiz. Não quis pôr as minhas mãos entre as pernas, porque isso ia estragar-lhe o filme. Por isso, o bebé saiu sozinho. Eles podem fazer isto, quando não estão drogados.

A epidural tem essa interferência?
Em princípio, não. A epidural é boa para as mulheres que estejam com muitas dores e que a queiram. No meu tempo, não havia, mas eu teria odiado não sentir. O importante é sentir tudo. Se se aprender a fazer isso, através da respiração e relaxamento, é como uma contemplação com o nosso corpo. É como se o útero fosse o condutor e a mulher o maestro da orquestra.

Consegue-se dirigir essa orquestra, num hospital?
Temos de melhorar o ambiente nos hospitais. No Reino Unido, muita coisa está a mudar. A dor é pior, quando estamos presos e nos sentimos um bocado de carne na mesa. Não adianta dizer que não há dores, mas não tem de ser assim. O parto é um trabalho de músculos. Não é dor, mas há dor. Há cada vez mais mulheres a olhar para o nascimento como um trabalho do seu corpo, sem a ajuda do médico.

O que se observa hoje é exactamente o contrário. As mulheres não pedem partos mais naturais, mas, sim, mais cesarianas, para evitar a dor e o risco.
O que é um parto normal? Não é normal pedir a uma mulher para subir para uma cama e fazer o trabalho de parto deitada. O corpo é da mulher. A escolha deve ser dela. Acho que deve ter o direito de pedir uma cesariana. Mas porque é que elas querem cesarianas? Porque lhes é dito que é mais seguro para o bebé, acham que não vão ter dores, é-lhes garantido um obstetra e pensam que a vagina não será afectada e poderão ter sexo sem problemas.

Porque é que o parto acorda tantos medos?
Para muitas mulheres, a primeira experiência foi traumática. Tenho uma rede de apoio em caso de crise do parto, em que respondemos a pedidos de ajuda. Muitas mulheres sentem-se encurraladas, violadas. Isto é mais frequente quando há muita intervenção médica, em especial no que toca a induzir e a acelerar o trabalho de parto. Algumas têm pesadelos e flashbacks, numa segunda gravidez, e sofrem de stress pós-traumático.

Tem muitas guerras com os médicos?
Não. Nem sempre concordam comigo, mas não estou contra os obstetras. Claro que precisamos deles e alguns são muito bons."

sábado, junho 21, 2008

Como tudo é efémero… Num momento, toda uma vida se estende pela frente: um futuro construído a dois, uma terceira vida que é gerada, fruto de amor. E, no momento seguinte, num suspiro, tudo desmorona. O destino saqueia sem dó aquilo que era mais importante. Ficam as memórias e a certeza de que o que existiu foi vivido intensamente.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Tarde inestimável na Fonte da Telha

Era Domingo e a praia estava quase deserta. A temperatura convidava a banhos e a calmia do mar era apelativa. A água estava mais quente que o habitual e viam-se cardumes de peixes à transparência. Nisto, uma voz: "vejam, golfinhos!". E lá estavam eles, ao largo, seguidos por um bando de gaivotas, dando saltos maravilhosos que nos deixaram hipnotizados. Não foram mais de 15 os minutos com que nos brindaram com a sua alegre presença, mas bastou para que a experiência se tornasse inesquecível.

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril. Já se ouvem os foguetes dos festejos.

segunda-feira, abril 16, 2007

De manhã, pressentindo o sol que brilhava lá fora, e com vontade de sermos por ele baptizados, fomos até à varanda. Fechei os olhos de modo a concentrar-me no quente que, a pouco e pouco, se instalava na minha pele. Com uma inspiração que me encheu o peito senti o que, este ano, ainda não tinha sentido: o cheiro do Verão. Adoro =)

domingo, janeiro 29, 2006

Oh, injustiça!

Logo este fim-de-semana, em que não fui para a linda Costa de Prata, é que ela ficou branca de neve...
Mas tive o prazer de ver farrapos de neve caírem à frente da minha janela. Mesmo não formando belos lençóis brancos, não deixou de ser um espectáculo emocionante!...

domingo, janeiro 08, 2006

Como já é usual nesta altura do ano,

desbastaram a copa das árvores aqui do largo; mas, sabe-se lá porquê, desta vez cortaram uma das árvores - precisamente, a que ficava em frente à janela do meu quarto. Agora vou à janela e vejo apenas cimento e betão. Sinto-me “the only flower in a concrete garden”.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Dia Mundial de Luta contra a SIDA

terça-feira, novembro 01, 2005

Dia de Todos os Santos

Hoje, dia 1 de Novembro, comemora-se o Dia de Todos os Santos. Dia em que, por tradição, se visita as sepulturas dos entes queridos.
É também neste dia que, logo pela manhã, onde ainda se conserva o costume, se juntam grupos de crianças que, de porta em porta, vão pedir pela alma dos que já faleceram. Nas mãos levam uma bolsinha de pano e, em resposta ao pedido, as pessoas dão o que podem, tal como dinheiro ou guloseimas.
Uma tradição que faz parte da nossa cultura cristã e que não vejo mal na sua perpetuação. No entanto, já não partilho desta opinião no que toca a dias feriados importados de outras culturas, tais como o Halloween. Mas o que é que se há-se fazer, deve ser isto a tal globalização...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Parece que quem veio ocupar o lugar do Verão foi, não o Outono, mas o Inverno! (Mal)acompanhado de vento frio e de nuvens carregadas de chuva.
Já não existe Outono. Com o Sol frio a reflectir-se nas gotículas de humidade e a tornar tudo tão brilhante... Com as folhas douradas a formar tapetes estaladiços debaixo dos nossos pés...!

domingo, outubro 09, 2005

Ao que parece, o Verão cedeu o lugar ao Outono. E já não era sem tempo...


"Autumn leaves
Beauty's got a hold on me
Autumn leaves
Pretty as can be"
Beth Gibbons

quarta-feira, setembro 07, 2005

Soa a frio.

Ainda no quentinho da minha cama, espreguiço-me com vagar e atento ao que se passa lá fora. Este não é mais um dia de Verão, com certeza. Não se ouve o chilrear dos pássaros nem os “Bons dias” de quem passa na rua. Distingue-se apenas o triste som dos carros a rolarem na estrada e o das folhas de árvore a baloiçarem ao vento.
Fecho os olhos com força. Quero render-me ao sono e somente acordar quando o Sol aquecer de novo.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Isla de Menorca

Reserva da Biosfera desde 1993, Menorca é uma ilha de clima cálido e águas cristalinas.
Uma viagem por Menorca é uma viagem pela sua História de conquistadores (ingleses, franceses, espanhóis) e povos pré-históricos. Estes últimos deixaram monumentos singulares, como as cuevas (grutas escavadas na rocha) ou as taulas (grandes pedras talhadas formando uma figura em T).
Entre os produtos típicos de Menorca destacam-se as avarcas (antigo calçado em pele dos camponeses), o gin (que com limão é chamado de bodega) e, claro, a maionese.


Na igreja de Santa Eulàlia em Alaior

Na pitoresca povoação de Binibeca


Em visita ao famoso bar na Cova d'en Xoroi

Viagem no porto de Maó (capital de Menorca)



Em Ciutadella

segunda-feira, agosto 01, 2005

FMM - Sines

Com muita pena minha, já estamos de volta. Mas foram 3 dias inesquecíveis!

A primeira noite de festival foi brindada com um céu limpo e estrelado, prenúncio dos maravilhosos dias de praia que se sucederiam. Com o vento quente a acariciar-nos a face, o doce aroma a hortelã a infiltrar-se-nos nas narinas, deixámo-nos levar pela energia que fluía do palco, vinda dos quatro cantos do mundo.

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Nos palcos do Festival Músicas do Mundo a globalização, como alguém dizia, toma todo um novo sentido: não o de uniformizar os povos, mas sim o de permitir que diferentes culturas se manifestem e encontrem, numa mistura de sonoridades.

É um festival maravilhoso!

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quarta-feira, junho 29, 2005

Feira Internacional de Artesanato

Podem pensar em coisa melhor para começo de férias do que comprinhas?? Na verdade, sim... mas não estava tempo para praia :p Ontem à noite fui à FIA, "...um local de encontro de expressões culturais, onde a arte e o saber fazer estão entregues a mãos que desenham o imaginário e constroem uma realidade única e viva de memórias...".

Adoro passar pelos expositores e sentir as singularidades de cada cultura: aqui o som dos djambés (África), ali o aroma dos incensos (Índia), acolá o brilho de dezenas de frasquinhos de perfume (Egipto), mais à frente as matrioskas muito bem alinhadas (Rússia) e ali ao pé o colorido do Brasil... Já sou fã =)